15 de setembro de 2016

Desculpe o transtorno, preciso falar do Danilo

Às vezes eu checo a tela do smartphone duas, três, dez vezes. Ninguém vai me chamar. Você não vai me chamar mais. Eu lembro o quão desesperada eu ficava para ouvir sua voz, conversar com você antes de dormir. Não passava um dia sem dizer que te amava, um dia sem falar com você. Hoje fazem meses que não conversamos de verdade. E eu sinto sua falta. Sinto sua falta a cada momento do dia, a cada passo que eu dou, a cada sorriso falso que eu abro. Só você me fazia sorrir pra valer. E que saudade das suas piadas. É como se nada mais tivesse graça, como se você tivesse levado o que eu tinha de bom. Não sobrou muita coisa e eu ainda estou reaprendendo a lidar comigo mesma.

Quantas vezes discutimos e voltamos a nos falar no mesmo dia porque eu nunca quis dormir brigada com você. Sabe, eu tinha medo de acontecer alguma coisa, de você decidir deixar de me amar da noite para o dia. Alguma coisa aconteceu.

Foram sete anos juntos, sete anos perfeitos. Eu te amei mais a cada dia que passamos juntos, eu fui a pessoa mais feliz do mundo ao seu lado. Nós temíamos esse dia, o dia em que usaríamos verbos no passado para falar de amor, o dia em que as lembranças seriam melhores que o presente e o dia em que falar sobre nós encheria nossos olhos de lágrimas. Nós juramos que havíamos dado o nosso melhor e que fomos as pessoas mais fofas do mundo juntos. Não sou mais fofa, aliás, quero socar a cara de quem disser que ainda sou fofa. 

Guardo cada filhote que você me deu, cada um deles com nome e personalidade próprios, criados por nós, nossos filhos. Ninguém nunca vai me dar um mundo de faz-de-conta como você me deu, ninguém nunca vai me permitir ser o que eu fui porque eu nunca mais vou me permitir ser o que eu fui. Agora, ainda dói demais ter te amado tanto, mas não me arrependo de nenhum segundo. Compartilhamos uma vida, um mundo imaginário, videogames, séries, viagens, sonhos, idas ao cinema, um carro, poesias, presentes, músicas, competições no Cartola, depoimentos no Orkut, conselhos, senhas de banco, segredos, medos, planos. Ah, nossos planos! Isso é o que mais dói, saber que nossos planos, aqueles que a gente sonhou um dia já não são mais nossos. 

Nunca vou me esquecer da primeira rosa que você me deu. Era uma flor artificial porque eu sempre odiei ver as flores morrerem. Tem algo na morte das coisas bonitas que destrói meu coração. Já te disse o quanto o nosso amor foi lindo? 

Nos conhecemos por meio dos nossos amigos, amizades que não duraram tanto quanto a gente. Você era baixista de uma banda incrível - sim, era incrível para mim, sempre será - e esbanjava confiança. E um sorriso lindo de ver. Foi o seu piercing que fez com que eu olhasse para a sua boca naquele primeiro ensaio, mas não foi ele que me fez querer te beijar. Foi você, o jeito fofo como você dizia gostar de Blink-182, Sum 41, Oasis, Phil Collins e Avril Lavigne. Você era uma bagunça e eu organizada demais, nós viramos uma mistura de ordem e caos e nos completamos como a melodia completa uma música.

Todas as músicas que eu ouvia com você, desde as mais cafonas até as mais idiotas, cada uma delas me traz um pouco da gente. A banda que nos uniu, Blink-182, já não existe mais, pelo menos não como era antes. Nós também não existimos mais, não como éramos antes. Mas eu nunca vou deixar de amar aquele trio formado por garotos brincalhões que cantavam emocore. Assim como eu nunca vou deixar de amar o meu primeiro namorado, aquele brincalhão que cantou First Date naquele show em 2009. 

Ninguém mais vai me chamar de minha vida nem fazer aquela voz fofa - e ridícula - que nós fazíamos em uma língua inventada. Eu nunca mais vou encontrar algo tão especial porque ter te amado tanto me deixou vazia. Estou repleta de lembranças e de amor e de tristeza. Há tanto de você que há pouco de mim na minha vida. Eu queria ter podido ser a sua vida, ter te visto sorrir todos os dias, ter ganhado de você no Guitar Hero e ter te amado todas as manhãs. A palavra "vida" agora não tem mais o mesmo significado, é apenas solidão, coragem e força. E eu te amo ainda mais por ter me dado o seu amor e por ter me ensinado a ser tão forte para viver sem ele.

- Mariana Siqueira

3 comentários:

  1. Olha, eu adoro escrever também, sou estudante de biblioteconomia e estou tentando criar um blog. Faz um tempo que eu te sigo mas nunca dediquei um pouco desse tempo p dar uma olhada de verdade no seu blog e agora que fiz isso eu posso dizer com toda certeza, vc escreve com o coração. Isso faz total diferença no sentido das palavras. Não li ainda todas as suas postagens mas prometo começara a fazer isso ainda hoje. Espero que vc fique bem pelo Danilo, estou torcendo por vc.

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  2. Lendo seu texto, vejo quão incrível você é, em cada detalhe, em cada momento vivido, acredito que deve ter tido ótimos momentos, a tristeza não pode entrar em seu coração, pois com o Danilo, você teve momentos bons, tudo isso deve ser guardado e relembrado, não podemos jogar fora todos esses anos e entrar na tristeza profunda, momentos assim serve para você refletir sobre acertos e erros, espero que você possa se resolver com ele.

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  3. Vou concordar com a Daniela, você escreve com o coração. Não é só esse texto chocante de bonito e verdadeiro, são todos os textos que eu li. Aí é que está, se você escreve tudo com o coração, como foi escrever isso? Alívio ou mais dor? Ganho de desabafo ou perda de relembrar? Você foi dez, garota.
    Olha, eu não sei quando, mas um dia a vida vai surpreender você positivamente, então você verá isso com outros olhos. Não olhos comparativos, ou de menosprezo, isso nunca acontecerá, mas serão outros olhos.
    Valeu, garota, você foi mesmo dez.

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